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sábado, 7 de maio de 2016

Verbos e Versos

Anoitecer,
esfriar.
Perceber,
Chuviscar.
Envolver,
Relembrar.
Adormecer e
quiçá sonhar!

E assim
conjugo verbos largados.
Absurdos, desmedidos.
Por vezes bradados,
incontidos.

Feito sina.
Que me faz andar a-toa,
retirando do lenço surrado,
mais um verso de saudades.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Gramaticamante

 
Dos pretéritos imperfeitos 
everbos mal conjugados;
Adjetivei meus defeitos.
Antônimos mal fadados,
pouco ocultados sujeitos,
parágrafos inacabados.
Exclamações sem conceitos
e pontos interrogados.

Por amor, degiversei,
rabisquei na folha vazia;
Errei, rasurei, borrei,
e acabou se a poesia!


quinta-feira, 17 de março de 2016

Feito os Rios


Não volto nunca!
Nasço e corro feito os rios.
Nas noites frias,
sou calafrios;
Nas pedras,
faço desvios;

E este amor de corredeiras?
Incessantes e confusas.
Me causa vãos arrepios!
Pois que esvai se feito breu.

Estou cheio de amores vazios!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Calado


Novamente eu namorei
aquela fotografia.
Acendi outro cigarro.
(Não tinha nada de magia);
Fitei o relógio calado.
13h45min, ele marcava.
Eu estava 54 anos atrasado.

Era a vida que passava!

sábado, 9 de janeiro de 2016

Soneto para Uma Menina Bonita

Naquela tarde tácita
nem tudo era estático;
Turvo e um tanto vulgar,
este meu jeito prático.

Esta semi urgência,
assaz traiçoeira;
as seis, é carência,
as vinte é zoeira.

Amanhã eu nem sei
se chove ou se grita.
Tão pouco arrisquei.

Te sonho! Me habita?
Ousar? Tentar? Pequei?
Perdi te. Menina bonita!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Falsos Midas



--- Atrevida! (Resmunguei).
Então eu respirei fundo e criei coragem
para virar aquela página (rasurada), 

de vida.
(O que eu não sabia é que
todas as outras já estavam
irreversivelmente borradas).

Falsos Midas!
Mentiras douradas a ornar
as lágrimas de cada
despedida,...

domingo, 27 de dezembro de 2015

Refém




Não sou refém 
dos erros que cometi
outrora.
Ou do que não fiz.

Se sou. Sou-o
das coisas boas
que idealizo; 
Mas jamais poderei 
realizá-las!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Notícias de Hoje

Natal vem,
Natal vai,...


Ouvi dizer que era lua cheia,
e hoje já é sexta feira.

(Logo tem outra ceia).
Olhei prá lua e se passaram
dez anos;
Talvez trinta ou cinquenta,...
Tem chuvisqueiro, biscoito
com glacê e sorrisos de Davi.

Ainda lembro de um tempo
em que a criança era eu,
(guardo n'algum canto da memória).

Mas isso já é outra
história.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cotidi anos

Dia desses me perguntou uma senhora:
Por que eu não escrevo mais
aquelas rimas doces de outrora.

E eu pensei,
pensei
e pensei.
Então respondi:
Acho que amar gurei!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Paridos

 

Os versos mais bonitos

são paridos de pensamentos

que borboleteiam entre um

sorriso aberto e uma lágrima

escondida,...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Passos Largos

E a vida seguia a passos largos.
Mesmo que ainda fosse inverno,
ainda que o sol fosse inferno;
os descrentes, tão amargos.
Crédulos desnorteados,
sementes que não cresciam,
relógios todos parados;
As estrelas não mais teciam!

Era um cinza absoluto,
que vinha de dentro prá fora;
Quase como estar de luto e
dar adeus sem ir embora!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Imortal

Surge um rebento,Recém chegado,
Tão inocente,
Pouco experiente,
Muito curioso.

Se há destino?
Quem sabe!
Todavia, missão sim;
Abstrata eu sei.

Tornamo-nos imortais assim.
Vendo em nossos filhos
uma continuidade infinda,
Que permanece quando perecemos,...

E depois, e depois e, sempre;
E daqui a mil anos quem sabe;
Alguém há de existir e,
Sem ao menos ter noção
Que é a continuidade deste poeta!
   
(Escrito a mais de 30 anos)...

terça-feira, 28 de julho de 2015

Empírico

Deixei de ser volátil,
deixei de ser satírico;
Hoje flerta com o tátil
este meu lado empírico.

Os espinhos de outrora
das frágeis rosas de outono;
Lembranças daquela senhora,
a deriva e do abandono.

O caminhante de agora,
verseiro de alma versátil,
a muito perdeu a hora,

a razão, o verso e o norte;
E por amor, perde-se o chão
que só nos devolve, a morte!

domingo, 19 de julho de 2015

Brisa



Um dia vem a onda e apaga a areia,
no outro vem a vida e nos tonteia.
Depois calmaria e solidão,
e uma brisa leve os teus cabelos penteia!

sábado, 18 de julho de 2015

Fiel da Balança


Nos joguetes da vida
já nem sou mais criança;
Não sou rei, nem plebeu.
Sou fiel da balança!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Prece de Inverno

Num versinho matinal
com cheirinho de café,
vai do sonho ao mais banal:
Muita lenha e pouca fé.

É gente que luta na lida,
é povo que chora e que ri;
Tantos que buscam guarida,
que nem estão mais aqui,...

É sol que sequer aquece
nestas manhãs de inverno;
Parece que Deus esquece!

Eis que manda para o inferno.
Anos, décadas, de uma prece
riscada num velho caderno.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Feito Vinil



 Eu ainda sinto o tátil do vinil,
os amigos chegando,
alegrias de barril
naquelas faces jovens.

E trinta anos voaram de supetão,
como quem vai na esquina
comprar leite e pão.

As vezes bate a saudade,
(brotam sorrisos banais);
Mas as vezes não voltam
nunca mais,...
nunca mais!

Depois dos Cinquenta


Depois dos cinquenta
você descobre que tudo é transitório.
Faz amizade com o efêmero,
e passa aquela sensação quase ingênua
de eternidade.
Você descobre que não é eterno,
que não existem nem males
e nem amores que não terminem um dia.
E então sente falta dos que se foram
por descuido, destino ou opção.
Depois dos cinquenta
ou você fica sábio
ou apanha de relho da vida
(e ela bate sem dó).
Você descobre que queria voltar a ter
30 anos, mas com a bagagem adquirida;
E isso é impossível.
Daí você descobre que ainda pode fazer 
bom uso do que aprendeu e, quem sabe,
se realmente você aprendeu algo,
oferecer um sorriso até para quem
virou a cara, foi grosso ou falso,...

Depois dos cinquenta você realmente amadurece
para a vida! 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Deu na Rádio

Deu na rádio,
saiu no jornal
e eu vi na tv,
num noticiário nacional.

Que esta noite ia chover.
O que eles não disseram
(eles não sabem de nada)
foi da música nos telhados
com cheiro de terra molhada.


A brisa tocando a face;
Poças d'água para brincar,
reflexos de lua nas calçadas.
E um poeta a contemplar.

Chuva de fim de tarde,
chuva mansa que não cessa;
Amaina o calor infernal
deste peito que ainda arde!